Tudo que você queria saber sobre UX mas tinha medo de perguntar

ImagemQuem não se fez as perguntas abaixo que atire a primeira pedra.

Porque se preocupar com UX é importante?
Qual o valor de UX?
Qual a melhor forma de tratar UX?
UX é muito novo?
UX pode ser tratado com um assunto independente?
Mas afinal, o que é UX?

O designer Stephen Anderson escreveu um post-manifesto curto e extremamente conciso mostrando que não é preciso dizer muito para responder suficientemente bem a todas as perguntas que mais afligem quem sempre quis entender o que é UX.

E aí, vamos falar de UX?

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Jornais impressos: quem quer enxergar a verdade?

Li no fim de semana a entrevista com Juan Luis Cebrián, fundador do El País, tradicional jornal espanhol, “As mudanças chegam com velocidade impressionante“, que saiu no Globo, e continuo não entendendo essa visão de que as coisas estão legais para os jornais por aqui. Sinceramente, qual a dificuldade que as pessoas, que por acaso são jornalistas, tem de ver os fatos?

Eles parecem preferir viver de ilusão. Uma pena. Líderes equivocados. A chance, se é que existiu, já passou. Agora é ver o que a tsunami vai deixar em pé por lá. E depois por aqui, porque já chegou aqui também. Os jornais brasileiros usam números de jornais “não qualificados”, como gostam de classificar, para justificar o investimento em produtos “qualificados” que não tem mais o que dar de resposta. Tudo errado.

E se os espanhóis vierem para o Brasil mesmo, não conseguirão nada. Aqui também há uma crise profunda em marcha. Ou eles acham que o fato de não termos mais concorrência no Rio, por exemplo, é algo normal? É a maior prova de que não há mais um mercado em potencial, já que não há competição. Os jornais seguem fechando por aqui, mas ninguém prefere enxergar isso, né?!

E outra coisa: desde quando os jornais vivem de circulação? O problema é ainda mais visível quando olhamos a receita publicitária, em queda há anos.

O negócio jornal impresso aqui está com seus dias contados. Portanto, por favor, não venham para cá trazer seus negócios falidos.

Usuários x Consumidores

Há dois dias atrás, Jack Dorsey, presidente e fundador do Twitter, publicou um texto em seu Tumblr argumentando e conclamando as pessoas a pararem de adotar o termo usuário. Ele argumenta que usuário é um termo que traz uma carga gigantesca de abstracionismo, e que acaba ficando distante dos problemas e das necessidades reais das pessoas. E por isso, ele propõe que passemos a adotar o termo consumidor, que segundo a visão dele, define melhor o nível do serviço que ele, como dono de um serviço, deve prestar às pessoas sob o risco de perder sua atenção.

Ontem, Jesse James Garrett publicou no site da Adaptive Path uma resposta à conclamação, defendendo enfaticamente que Dorsey está completamente equivocado em sua afirmação. Ele argumenta que o significado de usuário está relacionado diretamente ao conceito de experiência de uso de um produto ou serviço e a todas as percepções, sentimentos, reações de uma pessoa a partir do uso de um produto. É essa noção de usuário que aproxima um negócio das pessoas as quais você pretende servir, segundo James, e é ela que te leva ao engajamento. Elevar o valor do usuário, mudando os produtos e serviços do foco nas transações para o engajamento pelo uso, transforma a sua visão de valor em relação ao mundo.

Acho que ele está coberto de razão no seu discurso. Para mim, usuário é um termo mais abrangente e por conta disso, é o que te traz para mais próximo das pessoas. Sem dúvida, é o conceito que te ajuda a enxergar a todos de uma forma menos pré-definida e mais humana, com virtudes, defeitos, diferenças e semelhanças. E  que nos permite identificar necessidades reais e problemas reais, que serão atendidos através de produtos e serviços, em muitos casos, revelando novas formas de consumo e novas oportunidades de negócio.

Acho que em seu texto-depoimento-resposta, Jesse James traz não só uma visão mais humanista, mas, sem dúvida, mais poderosa, principalmente por reforçar de forma contundente a essência do que representa a experiência de uso.

E como ele lembrou bem, o uso é uma característica que define a própria raça humana, apesar de já não ser exclusividade nossa.

 

Novos tablets, um novo sistema operacional e alguns aspectos importantes de UX

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Na próxima semana, Apple e Microsoft apresentarão novidades que prometem não só mexer com o mercado dos tablets e desktops, mas também gerar muita discussão sobre experiências de uso e desenvolvimento de produtos. A primeira delas vai ser o lançamento do novo iPad. A Apple anunciou essa semana que no dia 23 apresenta o iPad versão mini (7″). É um movimento da empresa buscando manter sua posição atual de líder do mercado mesmo diante dos recentes e fortes competidores como o novo Kindle Fire HD, o Galaxy 7″, da Samsung, e o Nexus 7″, da Google. Ainda na próxima semana, só que no dia 26, teremos o início da comercialização do Surface, o tablet da Microsoft. Os preços foram anunciados nessa semana:

U$ 499,00 – 32GB (sem o teclado físico)
U$ 599,00 – 32GB (com o teclado físico)
U$ 699,00 – 64GB (com o teclado físico)

Para efeito de comparação, um iPad 16GB custa U$ 499,00 hoje. Existe uma diferença na relação preço x capacidade do equipamento, que a princípio parece ter alguma relevância, mas tem quem acredite que melhor seria se o preço inicial fosse para o tablet com o teclado. De qualquer maneira, essa relação não é a única questão da estratégia de lançamento da Microsoft. Os tablets que sairão agora no dia 26 das lojas virão com a versão Windows RT, que é uma nova versão do sistema direcionada para os computadores e tablets com processadores ARM, vão trazer o pacote Office 2013 já instalado, mas não trarão as features do Windows Enterprise. Por conta disso, a Microsoft conseguiu fazer uma versão do tablet com maior durabilidade da bateria e mais leve do que os tablets com o Windows 8, e alguns especialistas entendem que dessa maneira, a Microsoft se posiciona para dividir o domínio do mercado. Os vídeos de pré-lançamento dão uma ideia das potencialidades do tablet. A ideia da capa teclado parece sugerir que o produto é uma espécie de elo perdido entre os notebooks e os tablets, e desperta, além de muita curiosidade, uma série de dúvidas, em especial, sobre a sua experiência de uso.

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O projeto do novo Windows é baseado em uma linguagem visual chamada Metro, que foi desenvolvida dentro da própria Microsoft, vem com a promessa de oferecer uma experiência de uso melhor e mais fluida que seus concorrentes. Ele traz alguns conceitos interessantes como o de que a interface é o próprio conteúdo, sem a necessidade de elementos de controles, como botões, menus etc, que acabam, segundo a equipe que desenvolveu o projeto, exercendo um papel de intermediar o acesso dos usuários ao conteúdo. Na Metro, a proposta é explorar a navegação intuitiva, oferecendo um acesso direto pelo conteúdo, e tendo como elementos que reforçam a compreensão do sistema, caracaterísticas visuais marcantes como cores vibrantes e o trabalho tipográfico, além de uma estrtura de organização e hierarquização baseada em um grid bem definido e muito claro. É uma proposta que nos remete aos tempos do design onde a forma era definida a partir da função. Tempos da Bauhaus, primeira escola de design do mundo, fundada na alemanha em 1919 por Walter Gropius para unir conceitos de artes, artesanato, arquitetura e design numa proposta acadêmica. Sob o aspecto da experiência de uso, é uma proposta que parece fazer sentido, mas que não escapa de algumas questões polêmicas.

A especialista em usabilidade do Nielsen Norman Group, Raluca Budiu, em entrevista ao blog de tecnologia LaptopMag, sinalizou em uma avaliação preliminar, que o sistema promete mais dificuldade para a vida dos usuários de PC. Segundo ela, há uma sobrecarga na ação do usuário para ativar novos aplicativos/softwares com a mudança de contexto obrigatória, por obrigar o usuário a voltar a tela inicial para ativar um novo aplicativo, como acontece nos sistemas operacionais de tablets e smartphones, onde isso faz sentido. Ela critíca a dificuldade de se saber quais aplicativos estão rodando, uma vez que o desktop é tratado também como um app e, dessa forma, não há essa informação, a não ser no próprio desktop, o que impõe ao usuário necessidade de registrar em sua memória, podendo lhe causar um desconforto e irritação. Além disso, Raluca aponta que a falta de visibilidade das opções de navegação, que além de ficarem nos menus escondidos nos cantos da tela, levam um tempo para carregar quando o usuário passa o mouse, e que mesmo sendo cerca de meio-segundo, causa uma diminuição na velocidade de ação dos usuários e na fluidez de uso do sistema.

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De qualquer forma, são apostas altas que a empresa escolheu, e a partir da semana que vem, começaremos a ver o resultado. O fato é que existe uma curva de aprendizado para os usuários, que não é pequena, porque o Windows 8 traz conceitos da experiência mobile (tablets e smartphones) para o contexto desktop, como ressalta Raluca. E isso tem um custo e está claro, assim como o fato de que a Microsoft realmente acredita que vai valer muito a pena. O que se espera é que isso não seja apenas uma questão de fé.

Uma nova proposta de app com foco na experiência de consumir notícias em plataformas móveis

Foi lançado hoje o Circa. É um novo app, apenas para iOS, com uma proposta de uma experiência de ler notícias mais adequada às plataformas móveis.

A interface e a experiência parecem realmente bem resolvidas, mas resta ver qual vai ser esse fôlego para editar o material a ponto de fazer as pessoas passarem a consumir o conteúdo através do app.

Quem quiser experimentar o app já está disponível na App Store. E quem quiser saber mais, pode ler a matéria no TechCrunch sobre o lançamento do app.

Pesquisa: O futuro é mobile. As pessoas e o conteúdo já estão lá, mas ainda falta a receita

Uma apresentação feita pela Business Insider sobre a Internet e o estado atual dos negócios no mundo online mostra números interessantes que apontam para um caminho multiplataforma. Somos atualmente mais de 2 bilhões de pessoas online (em um universo de mais de 7 bilhões de pessoas na Terra) e o acesso tem crescido muito por conta do aumento da venda e do uso de dispositivos móveis. Os números da apresentação retratam basicamente o mercado americano, mas dão uma boa ideia de para onde as coisas estão caminhando. E por todos os indicadores, é possível ver que o consumo mobile de conteúdo e serviços tem crescido significativamente e que a busca agora é por um modelo publicitário que dê vazão a esse crescimento de interesse. Vejam alguns números abaixo em destaque, mas não deixem de conferir todos os detalhes da apresentação que, apesar de grande, é apenas um resumo de toda a pesquisa.

12% do tráfego da web já é mobile. Mas ainda há muita dificuldade de rentabilizar. Os jogos ainda são a grande fonte de renda no mundo mobile.

De qualquer forma, na web (mobile ou não), o Google ainda mantém um amplo domínio comercial.

Receita de publicidade online prestes a igualar a TV (38% x 42%). Há 5 anos atrás era praticamente a metade.
Nos últimos 5 anos, a receita de publicidade cresceu (pouco), e o impresso vem sendo esmagado, tendo perdido mais de 50% da sua participação no bolo.
A receita do impresso caiu drasticamente. E a da TV parece ser a próxima, apesar de alguns acharem que não.
O Facebook e, principalmente, o Google seguem esmagando os portais tradicionais (Yahoo, Aol etc). Mas novos players começam a se fazer relevantes (YouTube, Twitter, Hulu etc).
Video sob-demanda (Netflix, Hulu, Youtube etc) crescendo fortemente. “Pure-players” de e-commerce também seguem crescendo forte.

Uso mobile em tempo: Game (24 min) + Social (24) + News (12) + Diversão (10) + Outros (7)
Uso mobile por função: SMS (70%), uso de Apps baixados (50%), Navegação (50%), Redes Sociais e blogs (40%), Jogos (40%), Música (30%)

Dentre os apps, o uso dos nativos prevalece com ampla vantagem. E o modelo vencedor é o fremium (89%).

Sistema operacional: Android x Apple, basicamente, na relação 3 para 1
Apple ainda mantém ampla dominância de receita com apps.
Hardware: Apple x Samsung, basicamente, na relação 2 para 1. Mas Samsung crescendo e Apple caíndo.

http://www.businessinsider.com/state-of-internet-slides-2012-10?op=1
Obs: dados EUA

Pequenas grandes dicas para pesquisa com usuário

1. Escute. Foque em escutar e em prestar muita atenção no que as pessoas falam.

2. Use duas pessoas (se possível). Uma foca na pesquisa, e outra em documentar.

3. Dê conforto. As pessoas só falam se se sentirem confortáveis. Faça o que puder para trazer conforto para o entrevistado. Um ambiente com espaço, alguma comida e bebedia é importante. Mas talvez uma conversa inicial para criar empatia pode ajudar bastante.

4. Não ajude. Por mais que você perceba a dificuldade, o importante é observá-las e entender os porquês. E não ensinar.

5. Não use um roteiro. Seja autêntico e espontâneo. Tenha uma ideia de roteiro de forma simplificada na cabeça. A chave aqui é improvisação.

Mais em http://johnnyholland.org/2012/09/user-research-look-listen/