Usando a segunda tela para enriquecer o trabalho jornalístico

Imagem da ferramenta Corneteiro Digital, do site da Veja

A ferramenta Corneteiro Digital do site da Veja

Já é um hábito comum entre as pessoas que estão assistindo a uma partida de futebol na TV estar ao mesmo tempo nas redes sociais fazendo comentários sobre a partida, sobre a atuação dos jogadores e tudo que diz respeito ao evento. Esse hábito conhecido pela expressão “segunda tela” virou também uma oportunidade para os veículos de informação se relacionarem com seus telespectadores e coletarem informações quantitativas e qualitativas para diferenciar a sua cobertura.

As TVs brasileiras ainda exploram pouco isso, talvez até por medo de potencializar a capacidade das redes sociais, sites ainda vistos até hoje como ameaça aos canais tradicionais de comunicação. Só que por outro lado, vai ficando cada vez mais claro o potencial que essas ferramentas tem para gerar informações e ajudar nas grandes coberturas jornalísticas, assim como a importância que este tipo de movimento pode ter na renovação do jornalismo e do trabalho de curadoria editorial.

Com a chegada da Copa do Mundo, começamos a notar os sites de veículos de comunicação no Brasil fazendo movimentos para buscar a aproximação com essa nova experiência de relacionamento e de consumo de informação, e tentando construir algo com significado a partir dessas informações. É o caso da Veja, que colocou no ar a ferramenta “Corneteiro Digital“, uma espécie de termômetro sobre a seleção brasileira baseado nos tweets publicados sobre os jogadores e o treinador da equipe.

A proposta vai pouco além disso, permitindo apenas algumas interação básicas interessantes, mas sem se aprofundar ou explorar a qualidade do que está sendo tweetado. Mas não deixa de ser um ótimo termômetro para medir o sentimento da torcida em relação a jogadores e à Seleção de maneira geral. A Veja usa a ferramenta Flowics Engage, da empresa argentina de mesmo nome. Essa solução já havia sido usada pelo Estadão na cobertura do Carnaval desse ano e o case está até no site da empresa.

Na mesma linha de solução, a IBM vem fazendo há algum tempo um trabalho de construção de uma plataforma que faça o que eles chamam de “Análise de Sentimento Social”. Eles experimentaram durante a Copa das Confederações, e neste terça, no jogo do Brasil contra o Panamá, fizeram um teste com uma versão atualizada que foi relatado pela Cristina de Luca em sua coluna diária na rádio CBN.

Sem dúvida, é um trabalho que com a evolução que vem tendo pode transformar a cobertura jornalística dos eventos, além de ajudar a criar um relacionamento cada vez mais próximo dos leitores/telespectadores entre si e com os veículos. Mas a principal consequência que esse movimento pode trazer é ajudar jornalistas e suas empresas a perceberem a mudança que hoje ocorre na experiência de consumo de informação, não mais unidirecional, mas sim multidirecional. O valor agora está em construir soluções que permitam diversas leituras, preferencialmente interativas, que vão gerar o enriquecimento da informação, e consequentemente do potencial de comunicação e gestão desse conteúdo pelos jornalistas e seus veículos.

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