Novos tablets, um novo sistema operacional e alguns aspectos importantes de UX

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Na próxima semana, Apple e Microsoft apresentarão novidades que prometem não só mexer com o mercado dos tablets e desktops, mas também gerar muita discussão sobre experiências de uso e desenvolvimento de produtos. A primeira delas vai ser o lançamento do novo iPad. A Apple anunciou essa semana que no dia 23 apresenta o iPad versão mini (7″). É um movimento da empresa buscando manter sua posição atual de líder do mercado mesmo diante dos recentes e fortes competidores como o novo Kindle Fire HD, o Galaxy 7″, da Samsung, e o Nexus 7″, da Google. Ainda na próxima semana, só que no dia 26, teremos o início da comercialização do Surface, o tablet da Microsoft. Os preços foram anunciados nessa semana:

U$ 499,00 – 32GB (sem o teclado físico)
U$ 599,00 – 32GB (com o teclado físico)
U$ 699,00 – 64GB (com o teclado físico)

Para efeito de comparação, um iPad 16GB custa U$ 499,00 hoje. Existe uma diferença na relação preço x capacidade do equipamento, que a princípio parece ter alguma relevância, mas tem quem acredite que melhor seria se o preço inicial fosse para o tablet com o teclado. De qualquer maneira, essa relação não é a única questão da estratégia de lançamento da Microsoft. Os tablets que sairão agora no dia 26 das lojas virão com a versão Windows RT, que é uma nova versão do sistema direcionada para os computadores e tablets com processadores ARM, vão trazer o pacote Office 2013 já instalado, mas não trarão as features do Windows Enterprise. Por conta disso, a Microsoft conseguiu fazer uma versão do tablet com maior durabilidade da bateria e mais leve do que os tablets com o Windows 8, e alguns especialistas entendem que dessa maneira, a Microsoft se posiciona para dividir o domínio do mercado. Os vídeos de pré-lançamento dão uma ideia das potencialidades do tablet. A ideia da capa teclado parece sugerir que o produto é uma espécie de elo perdido entre os notebooks e os tablets, e desperta, além de muita curiosidade, uma série de dúvidas, em especial, sobre a sua experiência de uso.

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O projeto do novo Windows é baseado em uma linguagem visual chamada Metro, que foi desenvolvida dentro da própria Microsoft, vem com a promessa de oferecer uma experiência de uso melhor e mais fluida que seus concorrentes. Ele traz alguns conceitos interessantes como o de que a interface é o próprio conteúdo, sem a necessidade de elementos de controles, como botões, menus etc, que acabam, segundo a equipe que desenvolveu o projeto, exercendo um papel de intermediar o acesso dos usuários ao conteúdo. Na Metro, a proposta é explorar a navegação intuitiva, oferecendo um acesso direto pelo conteúdo, e tendo como elementos que reforçam a compreensão do sistema, caracaterísticas visuais marcantes como cores vibrantes e o trabalho tipográfico, além de uma estrtura de organização e hierarquização baseada em um grid bem definido e muito claro. É uma proposta que nos remete aos tempos do design onde a forma era definida a partir da função. Tempos da Bauhaus, primeira escola de design do mundo, fundada na alemanha em 1919 por Walter Gropius para unir conceitos de artes, artesanato, arquitetura e design numa proposta acadêmica. Sob o aspecto da experiência de uso, é uma proposta que parece fazer sentido, mas que não escapa de algumas questões polêmicas.

A especialista em usabilidade do Nielsen Norman Group, Raluca Budiu, em entrevista ao blog de tecnologia LaptopMag, sinalizou em uma avaliação preliminar, que o sistema promete mais dificuldade para a vida dos usuários de PC. Segundo ela, há uma sobrecarga na ação do usuário para ativar novos aplicativos/softwares com a mudança de contexto obrigatória, por obrigar o usuário a voltar a tela inicial para ativar um novo aplicativo, como acontece nos sistemas operacionais de tablets e smartphones, onde isso faz sentido. Ela critíca a dificuldade de se saber quais aplicativos estão rodando, uma vez que o desktop é tratado também como um app e, dessa forma, não há essa informação, a não ser no próprio desktop, o que impõe ao usuário necessidade de registrar em sua memória, podendo lhe causar um desconforto e irritação. Além disso, Raluca aponta que a falta de visibilidade das opções de navegação, que além de ficarem nos menus escondidos nos cantos da tela, levam um tempo para carregar quando o usuário passa o mouse, e que mesmo sendo cerca de meio-segundo, causa uma diminuição na velocidade de ação dos usuários e na fluidez de uso do sistema.

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De qualquer forma, são apostas altas que a empresa escolheu, e a partir da semana que vem, começaremos a ver o resultado. O fato é que existe uma curva de aprendizado para os usuários, que não é pequena, porque o Windows 8 traz conceitos da experiência mobile (tablets e smartphones) para o contexto desktop, como ressalta Raluca. E isso tem um custo e está claro, assim como o fato de que a Microsoft realmente acredita que vai valer muito a pena. O que se espera é que isso não seja apenas uma questão de fé.

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