Sobre redesenhos

Jakob Nielsen publicou essa semana uma pesquisa que mostra que o percentual de mudança na home dos sites no período de 1 ano tem reduzido ao longo dos anos, e que o trabalho de design das páginas está entrando no que ele chama de “período de estabilização”. Isso significa que muitos sites tem optado por menos redesenhos completos e mais mudanças pontuais, ajustando e evoluindo o produto em cima da identidade que já existe.

Segundo Nielsen, isso é uma boa notícia, porque os usuários odeiam mudanças (essa é uma outra pesquisa dele, de 2009) e preferem ter coisas que funcionam de forma familiar. E também porque assim sobra mais tempo para o designer refletir e pesquisar antes de promover novas mudanças, o que aumenta a chance das alterações promoverem efetivamente melhores resultados para o produto.

Essa pesquisa expõe uma questão que Louis Rosenfeld, arquiteto de informação, dono da Rosenfeld Media e autor do livros Information Architect for the www e Search Analytics for Your Site defende com outros argumentos. Ele acredita que ao invés de contínuos redesenhos, deveríamos tentar sempre imaginar uma solução com uma arquitetura mais flexível e adaptável, permitindo explorar a dinâmica das mudanças constantes do contexto, usuário e conteúdo sem necessariamente ter que mudar toda a estrutura do site. A estratégia que ele propõe é fortemente baseada em métricas de busca e audiência, sendo necessária que se faça uma priorização dos problemas regularmente, com revisão e ajustes da lista constantes e uma análise contínua para identificar indícios de novas oportunidades. Ou seja, na verdade, os argumentos não são, ou pelo menos não deveriam ser, surpreendentes para quem já trabalha com projetos para Internet. É um desenvolvimento de produto altamente orientado por medição e análise frequentes, de forma a colocar sempre no centro da questão o valor do produto para usuário.

Em uma de suas apresentações, Lou Rosenfeld afirma de forma enfática que deveríamos pregar a morte do redesenho de sites, ou pelo menos do conceito que a expressão traz em si. Para ele, redesenhar sites é uma tarefa hercúlea que dificilmente traz um resultado de mudança verdadeira. Um redesenho pode significar riscos enormes para os negócios hoje em dia, por conta dos prazos e custos elevados. Mas se não bastasse isso, ele passa uma ideia que soa paradoxal: gerar um produto perfeito e adequado baseado em diversos elementos variáveis que existe dentro de uma proposta de projeto. São muitos objetivos envolvidos, muitos e muito diferentes stakeholders e geralmente um escopo gigantesco, que dá um trabalho incrível para ser entendido, detalhado e dimensionado. É preciso lembrar que a velocidade da web e a diversidade das opções que existem afetou a paciência do usuário, que diminuiu drasticamente, permitindo que ele navegue com mais facilidade e com mais opções. Enfim, traduzindo em imagem, é como se o redesenho te desse uma bazuca mas você tivesse que acertar um pequeno mosquito a 1 km de distância. Não é fácil, não é?

De qualquer forma, Jakob Nielsen identifica em sua análise duas situações nas quais um redesenho ainda é indicado:
• Quando o seu site não tem mais muitos usuários e um redesenho pode significar uma mudança para causar um grande efeito de expansão da sua base de usuários. Nessa situação, o risco de desagradar os seus usuário é menor e a tentativa é válida.
• Quando seu design já sofreu uma série de evoluções contínuas que descaracterizaram e comprometeram a arquitetura e estrutura do seu site e a experiência dos usuários

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É provável que nesse momento, alguém tenha lembrado, quase que imediatamente, do MySpace, que nos últimos anos vivenciou uma queda brusca de audiência e que, como resposta, apresentou nessa semana o projeto de redesenho da sua plataforma (ainda em versão beta). De alguma maneira, o MySpace está promovendo uma mudança grande do produto buscando reverter a sua situação, que como os números indicavam, era de declínio de audiência e de resultado. E não por acaso, o site virou um bom exemplo que reforça a afirmação de Jakob Nielsen sobre as situações onde uma proposta de redesenho faz sentido. Que, convenhamos, são as situações onde a palavra redesenho acaba sendo empregada com o seu significado de forma mais plena, o de desenhar novamente um produto.

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