WEB 1.0, WEB 2.0, WEB 3.0…

 

“Nós estamos acordando e nos linkando.

Nós estamos observando.

Mas nós não estamos esperando”. (Clue Train Manifesto, 1999).

A frase acima é do manifesto escrito em 1999 por Rick Levine, Christopher Locke, Doc Searls e David Weinberger, que reuniu 95 teses sobre mudanças nas relações entre empresas e mercados a partir do advento da internet. Para os autores, essas mudanças se dariam por ser a internet a verdadeira mídia que permite as conversas não só entre pessoas, mas também entre mercados, e com capacidade de transformar radicalmente e absolutamente o mundo dos negócios. E essa é a grande revolução que estamos vivenciando na migração da primeira fase da rede mundial, a web 1.0, para a web 2.0: a capacidade de participação do consumidor e a transformação de diversos modelos de negócio a partir disso.

Se na fase 1.0 a grande rede mundial se apresentava de forma quase pronta e acabada e onde os principais ganhos eram a possibilidade de conexão e o acesso a grandes bancos de dados, na fase 2.0, o leitor-usuário-internauta aprendeu que poderia ter outro papel e participação efetiva na web. E esse foi o caminho escolhido, trazido pela chegada da banda larga, de uma maior inclusão digital, das ferramentas de interatividade e dos negócios surgidos a partir delas, como os grandes agregadores de conteúdo e sites de busca e de compartilhamento de informações.

Participar, compartilhar e colaborar são as palavras de ordem no mundo da web 2.0. Saiu de cena a grande estrela do e-mail e das mensagens instantâneas e entrou a dos fóruns, comentários e opiniões em redes sociais. Se antes as notícias e informações chegavam prontas e o leitor precisava ir a alguns sites para encontrá-las, hoje elas estão hiperlinkadas e hiperelacionadas o tempo inteiro. Facilmente achadas por meio de algum site de busca, agregador ou mesmo de um leitor de RSS.

E a composição de uma notícia também não é mais a de um único veículo, de uma única mídia. É de um grande mosaico de informações e formatos, de uma gigantesca comunidade com informações de sites de empresas tradicionais do mundo da informação, mas também com as de milhares de blogs de notícias de pessoas desconhecidas.

O consumidor-internauta não usa mais a grande rede de uma forma estanque para uma ou outra ação, como no início da web.  Ela é hoje o lugar onde ele consome de tudo de forma customizada, onde está conectado com o mundo, com as novas tendências, onde colabora e compartilha idéias e o conteúdo que produz, onde diz o que é relevante para si mesmo e para as comunidades das quais participa.  

Tantas mudanças no comportamento do consumidor fizeram com que alguns setores tivessem que se reinventar rapidamente para não perder o trem dos negócios. Assim foi com o mercado dos classificados, por exemplo. Ou mesmo aqueles que trabalham com venda de conteúdo, como o das gravadoras. E o de jornais, que perceberam que esse leitor não quer apenas ler tanta notícia, mas que também quer contribuir para a elaboração delas, dar e compartilhar sua opinião. É assim que surge o jornalismo participativo ou jornalismo cidadão, ainda alvo de descrédito por parte do mercado jornalístico que ainda não consegue entender bem seu novo papel nessa nova fase da web como provedora de informação.

É essa mudança de papéis que nos permitirá chegar à próxima fase desse grande game interativo ou a web 3.0, como alguns já gostam de chamar: a organização desse mundo de informações compartilhadas na aplicação de novas inteligências. Nesse novo período, o grande poder será o de transformar a partir do compartilhamento de conteúdo permitido e aprendido na fase atual.

É o trem das evidências, que não pode parar.

 

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