Integração de redações II

A terceira visita do tour foi à redação do Nordjske, grupo que publica jornais regionais no norte da Dinamarca, com circulação média de 70 mil exemplares e um portal de notícias locais com 130 mil visitantes únicos por mês
. Além disso, tem uma TV a cabo e uma rádio, também focadas no conteúdo hiper super local: no dia do nosso tour por lá a grande notícia da região era um choque de trens sem nenhuma gravidade.

A grande inovação da integração no Nordjske foi a criação da Super Desk em 2006, com o rodízio diário do comando das redações das quatro mídias do grupo. Sim, o editor-executivo do jornal, da TV, da rádio e da internet não é o mesmo todo o dia. Eles se revezam nesse comando, dividem e assumem a responsabilidade pelas pautas de todas as mídias. As reportagens são feitas pelas equipes de cada mídia, que abastecem as demais com as mesmas informações. E todas as notícias vão obrigatoriamente para a internet. Vale lembrar aqui que não há concorrência local, o que possibilita essa questionável padronização do conteúdo.

Já na Alemanha nossa visita foi ao quartel-general do Axel Springer, que unificou numa só redação os 70 editores e editores-executivos de quatro jornais: Die Welt, Welt am Sonntag, Welt Kompakt e Berliner Morgen Post. Com os comandos lado a lado, são tomadas diariamente as decisões de edição, assim como são feitas as avaliações em relação às páginas fechadas. Neste mesmo grupo também estão os editores responsáveis pela edição do portal de notícias Welt Online. As equipes de reportagem, divididas por assunto e não por jornal, ficam em outros andares da empresa e se relacionam com os editores por intermédio de coordenadores e chefes de reportagem. Não conseguimos conversar com os repórteres para saber se isso funciona, mas nos pareceu impessoal e “alemã” demais essa organização.

A navegação dos leitores no portal tem contribuído para algumas mudanças no impresso. Assuntos mais leves ganharam outra ênfase, as fotos passaram a ter mais destaque nas edições diárias e algumas colunas antes escondidas, como as de TV e cultura, foram redesenhadas com mais espaço.
Também contribuiu para essa reestruturação os resultados de pesquisa de consumo de notícias com um grupo de 200 leitores que usam diariamente um readerscan, espécie de e-paper, que mostra o que de fato eles têm lido na edição impressa.

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