Jornalismo participativo na berlinda

Apesar de muita gente achar suuuuuper legal essa história de jornalismo participativo, alguns também não têm a mínima vergonha de dizer na cara desse povo que isso não é jornalismo nem nos EUA nem na China. Foi assim logo no primeiro painel da conferência, ainda na quinta, quando Mike Clemente da ABC, disse sem nenhum constrangimento, que não acha que isso possa ser chamado de jornalismo.

– É uma contribuição de leitor, como desde sempre recebemos em nossas redações. Como aconteceu no caso Nixxon. O que se discute hoje é como ampliar o crédito dado a essas informações que nos são repassadas desde sempre. Tem que estar junto do restante? Sim, mas dizer qual é o melhor serviço de baby-sitter da cidade não é fazer jornalismo – afirmou, categórico.
Craig Newmark, o criador da famosa Craiglist, também acabou concordando:
– O papel do jornalismo e do jornalista é outro. O que vemos hoje é o movimento do leitor se aproximar da produção de conteúdo. Isso é bom, mas não substitui o papel do jornalista.

Já Jeff Jarvis, veterano e autor do blog Buzz Machine.com, levantou várias vezes durante o seminário a bola do “todo conteúdo é válido, não precisamos ficar tão preocupados com checagem e treinamento, mas essas pessoas devem ser remuneradas, sim”.

Será mesmo?

Não tenho uma opinião formada a respeito ainda. Outro dia vivemos exatamente esse dilema no site onde trabalho: pagar ou não por uma foto de leitor que foi publicada na versão impressa ?

Os argumentos dos que defendiam o pagamento e dos que eram contra:

“ah, mas é como uma foto de um frila!”

“Mas quando a foto foi feita a intenção do sujeito não era essa”.

“A história foi contada independentemente das imagens existirem”.

“Mas a imagem enriqueceu absurdamente o conteúdo”.

“Vc vendeu mais jornal e teve mais audiência por conta das imagens”.

Enfim, o recado é simples: a relação dos leitores com os jornalistas hoje é outra e nossos departamentos jurídicos ainda terão que se debruçar muito sobre o tema.

Um comentário sobre “Jornalismo participativo na berlinda

  1. Acho que temos que tomar um pouco de cuidado nas afirmações, pois o que pode estar mudando é o conceito de jornalismo e jornalista. É como pensar numa fórmula matemática: as pessoas estão trabalhando com esses conceitos como se fossem fixos. Mas acho que eles podem estar ficando mais flexíveis, e com isso se tornando variáveis nessa equação. É só ver que a publicidade fez nos últimos tempos da notícia. Vários são os casos que publicidade e noticiário se confundem (e ainda há confusão nisso tbm)… Acho que os leitores não estão ‘preparados’ suficientemente bem (falo de condições materiais) para a tarefa de ‘gerar conteúdo’. Mas qdo estiverem, acredito que vão saber fazer e vão fazer, queiram os ‘jornais’ ou não. As ferramentas já existem, a ‘platéia’ já está quase toda ‘lá’ e só falta o ‘espetáculo’ começar pra valer. E nesse ponto, acho que o Jeff Jarvis tem razão: vai ter que pagar!

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