Da arte de ler e-mails e saber não deletar

No meio de um cenário de catástrofe, mais uma vez, a internet surgiu não só como instrumento de comunicação, mas tb de assistência social. Foi através dela que boa parte do mundo descobriu o que se passava de verdade no Mississipi e na Louisiana depois da passagem do furacão Katrina.
Na terça-feira, recebemos lá no site onde trabalho uma mensagem por e-mail denunciando as condições em que se encontravam as milhares de pessoas desabrigadas e abandonadas pelo governo americano numa situação absolutamente degradante. Não ignoramos os e-mails. Fomos atrás das histórias que não estavam em nenhuma agência de notícias, em nenhum site de jornal ou de TV dos EUA.
Ok, vcs vão dizer: “Nova Orleans estava bloqueada pelo Exército. A região estava alagada, a imprensa não tinha como chegar lá”
Humm, será que o site onde trabalho foi o único a receber e-mails sobre a situação???
Que sorte a nossa…
Por termos coragem de ouvir nossos leitores e não darmos as costas para eles, antes da CNN, do NYT.com e do Washingtonpost. com conseguimos contar aos nossos leitores a verdadeira história que tinha como protagonistas americanos pobres que não tiveram condições de fugir do furacão.
E, com isso, não só ganhamos clicks de audiência, mas ajudamos a pressionar os governos para que essas pessoas fossem encontradas e salvas. Isso é fazer jornalismo.
No dia seguinte, os repórteres das agências, jornais e TVs estavam lá, também contando boas histórias.
Mas o e-socorro havia chegado antes…

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