Eu sou você amanhã?

Em Lawrence, uma pequena cidade nos EUA, um grupo de comunicação com gestão familiar desenvolve um modelo de negócio crossmedia que, aos olhos de quem só leu uma reportagem no NY Times hoje, parece ser um sinal de que há luz no fim desse longo túnel, simplesmente porque há gente tentando.
Ok, vcs vão argumentar: a cidade é mínima, a circulação do jornal é de 20 mil exemplares, a distribuição de renda na região é acima do padrão e a tal família Simons goza de um monopólio local, cujos negócios vão de TV a cabo e telefonia a jornal e publicação online.
Eu rebato: mas eles assumiram riscos tecnológicos, financeiros e de relacionamentos interpessoais que outros cartolas da mídia evitariam e evitam.
Criaram uma redação única em 2001 num grande galpão, reunindo as equipes de TV, jornal e online. O executivo do grupo disse a seus editores e repórteres que eles fariam mais que simplesmente trabalhar ombro a ombro; compartilhariam pautas, investigações e tarefas, gostassem ou não.
Deu certo?
A reação dos coleguinhas foi a mesma de qualquer lugar. Muitos detestaram e se sentem explorados quando lhes pedem para combinar tarefas da mídia impressa, televisiva e online num mesmo dia. Profissionais do jornal relutam em dividir pautas ou idéias com seus colegas da televisão, que reage reciprocamente. Mas já conseguiram que um fotógrafo de 67 anos que trabalha lá há mais de 10 anos escreva, fotografe e faça vídeos, mesmo nunca tendo pego numa câmera de vídeo antes.
Explica o tal executivo sobre a sinergia: “Se você demonstrar respeito pelas pessoas e não as tratar como uma mercadoria, você tem rédeas livres. É o que estamos fazendo aqui.”
Do diretor de novas mídias do grupo, sobre o jornalismo atual: “Acreditamos que o jornalismo tem sido um monólogo há muito tempo, e este é o momento perfeito para que se torne um diálogo com nossos leitores. Queremos que os leitores pensem que o jornal é deles, e não nosso.”
Para quem quiser ler: no NYT
Para quem quiser conhecer o site online do grupo: http://www.ljworld.com/

Um comentário sobre “Eu sou você amanhã?

  1. Acreditamos que o jornalismo tem sido um monólogo há muito tempo, e este é o momento perfeito para que se torne um diálogo com nossos leitores. Queremos que os leitores pensem que o jornal é deles, e não nosso.”
    ISSO É UM BELO PENSAMENTO PARA A REVISTA VEJA…

    Muito bom o blog!

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